Autoconhecimento é a melhor ferramenta na prevenção do câncer de mama

Em 2019, no Brasil, foram diagnosticados 59.700 novos casos, que representam 29,5% dos cânceres em mulheres. Em 2016, 16.069 morreram vítimas do câncer de mama no nosso país. A falta de conhecimento da doença e a dificuldade do acesso aos métodos diagnósticos e tratamento adequado são fatores que têm como consequência a chegada de pacientes. . .
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Em 2019, no Brasil, foram diagnosticados 59.700 novos casos, que representam 29,5% dos cânceres em mulheres. Em 2016, 16.069 morreram vítimas do câncer de mama no nosso país. A falta de conhecimento da doença e a dificuldade do acesso aos métodos diagnósticos e tratamento adequado são fatores que têm como consequência a chegada de pacientes em estágios mais avançados da doença aos hospitais. Por isso, é essencial descobrir a doença em seus estágios iniciais. (1)

Com o objetivo de compartilhar informações e promover a conscientização sobre o câncer de mama, o Outubro Rosa foi criado na década de 1990. Essa doença, de acordo com as últimas estatísticas mundiais do Globocan 2018, chegou a 2,1 milhões de novos casos, levando 627 mil pessoas a óbito. (1)

O que é o câncer de mama?

Queremos explicar com um pouco de riqueza de detalhes para que fique claro como é a dinâmica dessa doença. O câncer de mama é o resultado da multiplicação sem controle de células anormais que podem surgir de alterações genéticas hereditárias ou adquiridas. Não existe somente um tipo de câncer de mama, pelo contrário, são vários, desde aqueles que evoluem de maneira rápida e agressiva àqueles que evoluem de maneira favorável a um diagnóstico e tratamento em tempo adequado. (2)

Os tipos principais da doença são:(2)

–  Carcinoma Ductal: encontrado em cerca de 80% dos casos, ele tem origem nos ductos mamários;

– Carcinoma Lobular: mais raro, é diagnosticado em cerca de 5 a 10% dos casos e tem origem nos lóbulos responsáveis pela produção do leite materno.

Sobre o diagnóstico, ele pode ser feito em diferentes estadiamentos (descrição de quanto o câncer já se espalhou pelo corpo):(2)

– In Situ: quando as células doentes estão localizadas;

– Infiltrante: quando elas invadem outras áreas e têm chances de atingir linfonodos e causar metástase.

Autoconhecimento na detecção precoce do câncer de mama

Conhecer o próprio corpo e estar atenta ao sinal de qualquer alteração nas mamas é uma das recomendações mais poderosas na luta contra o câncer de mama. Isso porque um estudo do INCA mostrou que, em 66,2% dos casos de diagnóstico da doença, o câncer foi percebido pelas próprias pacientes! Dentro deste número estão incluídos os casos descobertos no estágio inicial do câncer, aumentando as perspectivas de tratamento e cura. (3)

Um levantamento realizado entre junho de 2013 e outubro de 2014 pelo Núcleo de Pesquisa Epidemiológica da Divisão de Pesquisa Populacional revelou um dado importante: 73% das mulheres entrevistadas já haviam se submetido a pelo menos uma mamografia antes de receber o diagnóstico.  Além disso, 60,5% das mulheres que participaram desse levantamento descobriram a doença porque perceberam um sintoma ou sinal. Sendo assim, de acordo com o médico sanitarista e epidemiologista Arn Migowski, é possível compreender que “não é garantido que todos os cânceres serão detectados pela mamografia de rotina.” (3)

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Autoexame x Autoconhecimento

No final da década de 1990 e início dos anos 2000, após alguns estudos não demonstrarem a eficácia do autoexame padrão na redução da mortalidade de mulheres com câncer de mama, surgiu uma nova estratégia, o breast awareneess (tradução: “conscientização sobre as mamas”). (3)

“Como assim?!” Vamos explicar melhor:

Pesquisadores notaram que o modo como eram feitas as recomendações do autoexame, de modo sistemático, seguindo passo a passo minucioso, além de gerar mais ansiedade nas mulheres, se transformava em uma barreira para a realização dele, pois elas acreditavam que era preciso uma grande técnica para fazê-lo.

Por isso, a estratégia com nome em inglês que citamos agora pouco visa desmistificar o autoexame, transformando-o em algo natural que deve ser feito no dia a dia. (3)

De acordo com Mônica de Assis, sanitarista do INCA, “observar, sentir e palpar as próprias mamas é importante, mas isso pode ser feito no dia a dia, ao trocar o sutiã, na hora do banho, na situação em que a mulher se sentir mais confortável em qualquer dia do mês”. Ou seja, a mulher deve conhecer o próprio corpo muito bem para notar alterações e isso pode salvar a sua vida! (3)

Enquanto o autoexame requer técnica específica, possui diferentes recomendações (idade, se existe casos na família e outras) e deve ser feito uma vez por mês, preferencialmente após o período menstrual, em frente ao espelho, em pé e deitada, o autoconhecimento é baseado na atenção diária, sem estipular números de vezes, momentos ou lugares certos, além de incentivar que toda mulher, independente da sua idade, conheça suas mamas! (3)

O que pode causar o câncer de mama?

Muitos fatores estão associados ao câncer de mama, não a uma única causa. Um fato é que mulheres com mais de 50 anos possuem maior risco de desenvolver a doença. Veja alguns desses fatores: (2)

  • Hormonais:

– primeira menstruação antes dos 12 anos;

– menopausa após os 55 anos;

– nunca ter tido filho;

– primeira gestação acontecer após os 30 anos;

– não ter amamentado;

– contraceptivos orais (progesterona – estrógeno);

– reposição hormonal.

  • Ambientais / Comportamentais:

– exposição a radiação ionizante;

– sobrepeso e obesidade na pós-menopausa;

– consumo de álcool;

– sedentarismo.

  • Hereditário:

– histórico de câncer de mama em parente de primeiro grau, especialmente, se ocorreu antes dos 50 anos;

– histórico de câncer de mama bilateral ou de ovário, em parente de primeiro grau, em qualquer idade;

Visto todos esses fatores, é importante ficar atenta ao peso corporal, se manter ativa e praticando exercícios físicos, evitar o consumo de bebidas alcoólicas e manter a rotina médica em dia! (2)

É muito importante dizer que, mesmo apresentando um ou mais desses fatores que citamos, não significa que a mulher terá câncer de mama. (2)

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A alimentação e hábitos de vida são armas contra o câncer de mama

Como citamos acima, o sobrepeso e o sedentarismo são fatores de risco para essa doença. Por isso, adotar mudanças na alimentação e nos hábitos de vida podem ajudar na prevenção contra essa doença!

Alimentos que podem ajudar nessa luta: frutas, legumes, verduras, cereais integrais, feijões e outras leguminosas.(4)

Esses alimentos podem ajudar a inibir a chegada de compostos cancerígenos às células e, mais, podem ser capazes de consertar o DNA danificado quando a doença já começou. (5)Alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas não devem fazer parte da rotina alimentar.

Outras dicas: (6)

– reduzir o consumo de sal e alimentos conservados em sal;

– reduzir o consumo de adoçantes artificiais;

– reduzir o consumo de agrotóxicos nos alimentos;

– aumentar o consumo de fibras;

– ficar atento aos rótulos dos alimentos.

Atividades físicas, além de ajudar no controle do peso, podem promover o equilíbrio dos níveis de hormônios, reduzir o tempo de trânsito gastrointestinal e fortalecer a defesa do nosso organismo. (7)

Já se amou hoje?

Tendo em mente tudo o que falamos neste texto, fica claro que a detecção precoce é fundamental, pois, quanto mais cedo o tumor é detectado, mais cedo o tratamento é iniciado, aumentando as chances de cura.

Você é a sua maior aliada nesta luta.

Autocuidado é sinônimo de amor próprio.

FONTES: 
  1. A situação do câncer de mama no Brasil: síntese de dados dos sistemas de informação. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Rio de Janeiro, 2019. Disponível em <https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/document//a_situacao_ca_mama_brasil_2019.pdf>. Acesso em 29 set. 2020.
  1. A mulher e o câncer de mama no Brasil. Instituto Nacional de Câncer – Ministério da Saúde, 2020. Disponível em <https://www.inca.gov.br/exposicoes/mulher-e-o-cancer-de-mama-no-brasil#expanded>. Acesso em 29 set. 2020 
  1. REDE CÂNCER. Dezembro, e. 36, dez. 2016. Disponível em <https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/document//rrc-36-versao-integral.pdf>. Acesso em 29 set. 2020.
  1. Alimentação.Instituto Nacional de Câncer – Ministério da Saúde, 2019. Disponível em <https://www.inca.gov.br/alimentacao>. Acesso em 29 set. 2020.

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