O poder do silêncio

Na era da comunicação, do conhecimento e da informação, por mais paradoxal que possa parecer, o silêncio tem um poder inestimável e vale ouro.
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Na era da comunicação, do conhecimento e da informação, por mais paradoxal que possa parecer, o silêncio tem um poder inestimável e vale ouro. 

Após o nascimento os bebês são estimulados a emitir os primeiros sons, a falar, fazer barulho com chocalhos, instrumentos musicais e outros materiais. 

Após aprenderem a emitir e a produzir diversos tipos de som são censurados e solicitados para que se aquietem, pelas mesmas pessoas que as persuadiram anteriormente.

Uma pessoa com a mente agitada tem dificuldade em relaxar, assim como uma xícara cheia de chá, não pode receber mais, porque está repleta. A partir do momento que são esvaziadas tornam-se aptas a preencherem seus conteúdos. 

Os ciclos da natureza e dos animais incluindo o ser humano têm momentos de expansão e contração. As ondas do mar fazem barulho em direção à praia e, no retorno, se aquietam. Preste atenção nos pássaros após despertarem; emitem ruídos, sons, melodias; depois ficam quietos quando interiorizam. 

A pessoa com mente inquieta e agitada, na maior parte do tempo, apresenta pensamentos compulsivos, repetitivos, negativos e reativos. A identificação com estes pensamentos prende o indivíduo no mundo da confusão, desorientação, agitação e ilusão ao distanciá-lo da realidade.

Em vez de ser humano, age como fazer humano. A palavra o torna refém, o silêncio o liberta. Silenciar transcende o pensamento ao relaxar e acalmar a mente. A pessoa focada, com atenção, intenção, auto-observação e contemplação,  adquire maior concentração, intuição, inspiração, imaginação e criatividade, ao transpor o pensamento e alimentar da fonte da sua essência.

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Mesmo ao trabalhar, conversar, caminhar, exercitar e comer, um indivíduo pode agir com espontaneidade, percepção, domínio do ego e entrar no fluxo do momento presente e desaguar no oceano da paz interior. 

Os cinco sentidos interagem com o mundo externo, o silêncio adentra o mundo interno. O silêncio e a meditação proporcionam relaxamento da mente ao bloquear os sentidos que interagem com o meio externo através dos pensamentos, percepções, preocupações, tensões que geram ansiedade, estresse e depressão.

Ao dominar os pensamentos e sentimentos, é possível alcançar a calma interior devido à redução do ritmo das ondas cerebrais. O esvaziamento da mente é diretamente proporcional ao aprofundamento das ondas cerebrais, que promovem a produção de neurotransmissores como serotonina, dopamina, anandamida, acetilcolina, endorfinas e hormônio do crescimento. 

A produção destas substâncias permite uma harmonia e homeostase interna, ao armazenar energia, aumentar a imunidade, combater os radicais livres, curar e revitalizar o corpo e a mente.

Mahatma Gandhi, além de jejum de comida praticou o jejum de palavras por 24 horas em um dia da semana, durante vários anos de sua vida. 

No Tibet, um monge para ser ordenado lama, permanece em silêncio durante três anos, três meses e três dias. 

Os grandes mestres, seres espiritualizados e iluminados, como Jesus, Abraão, Maomé, Moisés, Buda, dentre outros, buscaram inspiração em retiros, onde durante meditação, ao silenciar suas mentes, conectaram com o Divino e absorveram o néctar da bem aventurança.

O silêncio e a meditação são atos sublimes, porque aquietam o corpo, esvaziam o consciente, purificam o subconsciente e permitem a quem pratica uma conexão com a própria essência de onde desfruta da fonte inesgotável de energia e paz interior.

Para tanto, disciplina é fundamental a fim de ao silenciar a mente manter a conexão com a fonte divina e liberar as amarras dos pensamentos e do ego.  

A quem você dá mais poder e serve: ao ego e aos ruídos ou a essência e ao silêncio?

Eduardo Carlos da Silva

Neurocirurgião e Coach

CRM: 36865

 

2 comentários em “O poder do silêncio”

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